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Quando jejuamos, Deus não muda — nós mudamos

  • 31-12-1969 21:00

  • Quando jejuamos, Deus não muda — nós mudamos

    1.

    Uma verdade libertadora da fé cristã

    Uma das compreensões mais libertadoras — e, ao mesmo tempo, mais desafiadoras — da vida cristã é esta: Deus não muda.

    Em muitos momentos, aproximamo-nos do jejum com expectativas equivocadas.

    Esperamos que Deus mude circunstâncias, reverta cenários ou aja conforme nossas urgências.

    No entanto, a Escritura é enfática ao afirmar que o Senhor é imutável:

    “Porque eu, o Senhor, não mudo.” Malaquias 3:6 – ARA

    “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” Tiago 1:17 – ARA

    Essa verdade nos conduz a uma pergunta mais honesta e profunda:
    O que acontece conosco quando escolhemos jejuar?

    O jejum não altera o caráter de Deus.

    Ele transforma o coração humano.

    2.

    O significado bíblico do jejum

    Para compreender essa transformação, é importante olhar para o significado bíblico do jejum.

    No Antigo Testamento, a palavra hebraica tsûm aparece associada à expressão ‘anah nefesh’, que significa “afligir” ou “humilhar a alma”.

    Essa construção revela que o jejum sempre esteve ligado a uma postura interior de rendição, dependência e quebrantamento diante de Deus.

    Jejuar, portanto, nunca foi apenas deixar de comer.
    É submeter a alma, silenciar o orgulho e reconhecer, de forma consciente, nossa total dependência do Senhor.

    No Novo Testamento, o termo grego nēsteía significa literalmente “não comer”, mas carrega um sentido espiritual mais amplo: interromper o natural para intensificar o espiritual.

    O jejum aparece sempre conectado à oração, à consagração e ao serviço, nunca como prática isolada ou ritual vazio.

    O jejum não ajusta o trono de Deus.

    Ele ajusta o coração humano.

    3.

    Quando o jejum perde o seu propósito

    A Bíblia também nos alerta para o risco de um jejum esvaziado de sentido espiritual.

    Em Isaías 58, Deus confronta um povo que jejuava, mas não permitia que o jejum transformasse atitudes, relacionamentos e escolhas.

    O problema nunca foi a prática do jejum em si, mas a ausência de mudança interior.

    Jejuar sem transformação é apenas abstinência.

    Jejuar biblicamente é permitir que Deus revele o que precisa ser alinhado, tratado e transformado em nós.

    Quando jejuamos, não estamos tentando mover Deus.

    Estamos nos colocando disponíveis para que Ele nos mova.

    4.

    Tipos de jejum à luz da Bíblia (com discernimento)

    A Escritura apresenta diferentes formas de jejum, sempre conectadas a propósito, contexto e direção espiritual.

    Entre as principais, destacam-se:

    Jejum normal : Consiste na abstinência de alimentos sólidos por um período determinado, mantendo a ingestão de água.

    É a forma mais recorrente encontrada na Bíblia e pode ser vivida com equilíbrio, discernimento e acompanhamento espiritual.

    Jejum parcial:  Exemplificado na experiência do profeta Daniel, que se absteve de alimentos desejáveis por um tempo específico (cf.

    Daniel 10).

    Esse tipo de jejum ensina renúncia consciente, foco espiritual e disciplina progressiva.

    Jejum total: Envolve a abstinência completa de alimentos e água por um curto período.

    Na Bíblia, aparece em contextos excepcionais de extrema urgência espiritual, como no caso de Ester (cf.

    Ester 4).

    Esse tipo de jejum exige muito discernimento e não deve ser praticado sem cautela ou orientação.

    5.

    Jejum e cuidado com o corpo

    Aqui cabe uma orientação fundamental: o cuidado com o corpo também é bíblico.

    O apóstolo Paulo afirma que o corpo é templo do Espírito Santo (cf.

    1 Coríntios 6:19).

    Autores cristãos que refletem sobre as disciplinas espirituais, como Richard Foster, reforçam que o jejum deve ser vivido com sabedoria, considerando limites físicos, emocionais e condições de saúde.

    “O jejum cristão deve sempre ser praticado com discernimento e responsabilidade, nunca como forma de autopunição ou imprudência.”
    (Richard Foster, Celebração da Disciplina)

    Jejum com Deus nunca é irresponsável.
    Ele aprofunda a espiritualidade sem desprezar o cuidado com a vida.

    6.

    O que muda em nós quando jejuamos

    Cada experiência revelará coisas particulares entre você e Deus.

    Quando vivido como disciplina espiritual, o jejum:

    • revela motivações ocultas;
    • expõe dependências emocionais e espirituais;
    • silencia ruídos internos;
    • realinha prioridades;
    • aprofunda a escuta da voz de Deus;
    • fortalece a obediência.

    O jejum não dobra a vontade de Deus.

    Ele realinha a nossa.

    7.

    Para pensar e agir

    Tenho jejuado?
    Se sim, tenho esperado apenas que Deus mude circunstâncias — ou tenho permitido que Ele me transforme?

    E se ainda não tenho jejuado, que tal vivenciar essa disciplina espiritual, com discernimento e propósito, para me aproximar ainda mais do nosso Pai?

    Vamos Orar, Juntos?

    Senhor, obrigada por me guiar e ampliar a minha visão sobre o jejum, por me despertar a praticar e ter a minha vida consagrada à tua vontade.

    Te amo Senhor crendo que em cada dia sou transformado(a), ajuda-me e me fortalece para viver os Teus propósitos.

    Em nome de Jesus, amém.

    No próximo episódio:

    JEJUM QUE PREPARA PROFUNDIDADE PARA BATALHAS REAIS.

    Rosana Sá (@rosanasa_oficial) é Mentora Executiva, Professora Universitária e CEO da Cyclos Consultoria.

    Especialista em comportamento, neurociência e liderança.

    Palestrante e conferencista, serve ao Senhor na IMW como Diretora Geral de Ministérios, conduzindo líderes e equipes com propósito.

    * O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

    Leia o artigo anterior: Discernimento no jejum: Maturidade espiritual é nosso foco

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    Fonte: Guiame