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Noé e a Arca da graça

  • 15-10-2026 20:00

  • Noé e a Arca da graça

    A porção da Torá desta semana é sobre o dilúvio que exterminou a vida na Terra nos tempos de Noé, do qual salvaram-se apenas ele e sua casa, bem como todos os animais que foram recolhidos na arca.

    O motivo da destruição foi que “a terra estava corrompida diante de Deus e cheia de violência” (Gn.

    6:11).

    A palavra violência aparece aqui pela primeira vez na Bíblia e seu original é hamas.

    Juízo sobre a violência

    Hamas é o mesmo termo que nomeia o grupo terrorista que assola a Faixa de Gaza e tem sido um dos principais inimigos de Israel no século XXI.

    Hamas foi a causa direta da destruição trazida pelo dilúvio.

    Não é por acaso que Yeshua diz que os últimos dias serão semelhantes aos dias de Noé.

    Não apenas porque as pessoas estarão desapercebidas como nos dias que antecederam o dilúvio, mas porque a Terra também estará coberta de violência ou hamas.

    É interessante ressaltar que Parashá Noach foi a mesma porção da Torá na semana dos ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, fazendo com que Israel entrasse em Gaza e iniciasse uma longa guerra.

    Curiosamente, a invasão do Hamas no dia 7 foi batizada pelos terroristas de “Dilúvio de Al-Aqsa”, o nome da mesquita que está na esplanada do Templo.

    Parece uma clara tentativa do inimigo tentar reverter o juízo de Deus contra toda a violência no verdadeiro dilúvio.

    O juízo, porém, pertence ao Senhor que julgará toda a Terra, não somente por sua violência, mas por toda a corrupção moral em que se afundaram as sociedades do mundo, tal qual nos tempos de Noé.

    A propósito, o termo hamas carrega consigo um significado mais abrangente, segundo comentaristas judeus antigos.

    Eles descrevem que uma sociedade “cheia de violência” está consumida por injustiça, exploração, opressão, desonestidade e abuso de poder.

    Trata-se de uma humanidade não apenas violenta fisicamente, mas altamente destrutiva para com os homens entre si, em todos os níveis.

    Descanso e graça

    Embora a Terra estivesse corrompida, a Torá faz questão de destacar o caráter de Noé.

    “Era ele homem justo e íntegro em suas gerações, e andava com Deus” (Gênesis 6:9).

    Estar cercado de perversidade e iniquidade nunca foi justificativa para se deixar influenciar pelo mal.

    Os que temem ao Senhor sempre serão guiados por seus mandamentos, independentemente do ambiente em que vivam.

    Noé é o exemplo mais claro disso por todas as Escrituras.

    O verso 8 resume a recompensa de Noé por andar em retidão perante o Senhor: “Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor”.

    O original, diz: Noach matzah chen b’einei Adonai.

    O nome Noé e o termo para graça usam as mesmas letras no hebraico, nun e chet, mas invertidas.

    Noé significa descanso, repouso.

    Graça transmite a ideia de favor imerecido.

    Os sábios antigos observaram muito bem que os nomes Noé e graça são imagens espelhadas uma da outra.

    Portanto, em meio à maldade e violência de todo tipo que nos circundam, é possível descansar em Deus com integridade e justiça, desfrutando de sua graça imarcescível.

    A Arca do Pai

    Não por acaso, a porção semanal correspondente dos Apóstolos abrange o capítulo 8 de Mateus, no qual é narrado o milagre em que Jesus acalma a tempestade.

    O barco em que estava com os discípulos era varrido pelas ondas, enquanto o Mestre dormia em paz até ser acordado por eles, aterrorizados pelo medo de um naufrágio.

    Ele repreende os ventos e o mar, trazendo bonança imediata.

    Não há dúvidas de que o dilúvio trouxe temor para Noé e sua família.

    Após o juízo sobre a Terra, o Senhor também acalmou as águas e salvou todos que se encontravam na arca, fazendo com eles uma aliança.

    As duas histórias estão intimamente interligadas.

    A arca de Noé era um tipo de Jesus para salvar das águas da destruição os que nela se refugiaram.

    Ele foi o mesmo refúgio para os discípulos ao serem açoitados pelo vento e pelo mar, livrando-os do pavor da morte iminente.

    Ele continua sendo o mesmo refúgio para os que querem viver livres da corrupção e da violência que enchem o mundo em que vivemos, e que desejam encontrar graça a seus olhos.

    Ele é a Arca enviada pelo Pai para resgatar a humanidade perdida.

     

    Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor de A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br.

    * O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

    Leia o artigo anterior: O Tabernáculo de Deus entre os homens

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    Fonte: Guiame