NOTÍCIAS

Mãe que perdeu filha em protestos no Irã encontra paz em Jesus: “Confiei minha vida a Ele”

  • 31-12-1969 21:00

  • Mãe que perdeu filha em protestos no Irã encontra paz em Jesus: “Confiei minha vida a Ele”

    Uma mãe iraniana que perdeu a filha durante protestos contra o regime no Irã afirmou ter encontrado paz após entregar sua vida a Jesus.

    Em entrevista recente, ela contou como a fé tem sustentado sua vida após a tragédia.

    Em janeiro, Sameera e sua filha de 16 anos participaram das manifestações contra o regime em Karaj.

    Na ocasião, forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes, e a jovem Sevda foi atingida e morreu no local.

    "O dia 19 de janeiro foi verdadeiramente terrível, quando o governo da República Islâmica deu ordens para atirar nos manifestantes.

    Mesmo assim, muita gente foi às ruas", disse ela à CBN News.

    Sameera contou que, mesmo cientes dos riscos, decidiu participar do protesto com a filha: "Saímos naquela noite, deixando nossos celulares em casa, sabendo que poderíamos enfrentar a morte ou ser presas".

    Segundo ela, a adolescente demonstrou coragem até os últimos momentos: "Ela foi incrivelmente corajosa.

    Falou com total bravura até seu último suspiro.

    Lutou.

    Cantou.

    Gritou”.

    Pouco depois, Sevda foi baleada no peito: “Atiraram nela no coração.

    A bala a atingiu e ela morreu instantaneamente".

    ‘Sinto paz por causa de Cristo’

    Por anos, a família esteve envolvida em protestos contra o regime iraniano.

    Semanas após a tragédia, Sameera deixou o país e passou a viver no norte do Iraque.

    Em meio à dor, ela testemunhou que teve um encontro com Jesus.

    "Eu não era uma muçulmana muito religiosa quando criança.

    Na verdade, eu não aceitava o islamismo xiita.

    No entanto, eu sempre tive curiosidade sobre Jesus.

    Eu sabia algo sobre Cristo por assistir a vídeos no Instagram, mas nunca imaginei que teria um encontro como este", afirmou ela.

    Depois dessa experiência, ela foi batizada em uma pequena igreja doméstica no norte do Iraque: "Desde que encontrei Cristo, muitas coisas boas aconteceram na minha vida.

    Sinto uma paz especial e confiei a minha vida e meu destino a Ele".

    "Hoje, embora esteja passando por muita coisa, sinto uma paz profunda por causa de Cristo", acrescentou.

    Sameera destacou que a morte da filha não deve ser esquecida: "Houve muitas vezes em que ela me incentivou a ir às ruas.

    Ela implorou para que eu fosse com ela.

    Ela insistiu.

    Ela disse que tínhamos que protestar em nome daqueles que perderam a vida".

    E continuou: "Ela costumava dizer: 'Eu adoraria que as pessoas fossem livres um dia'.

    Ela também dizia: 'Se algo me acontecer, lembrem-se de mim no dia da liberdade'".

    A morte da jovem ocorreu em meio a uma onda de protestos no Irã.

    Ao comentar o cenário no país, Sameera afirmou: "A República Islâmica é um câncer, é realmente um câncer, e alguém precisa destruí-la.

    Se isso não acontecer, ficarei profundamente triste, porque perdemos muitos jovens, e eles ainda estão sendo executados hoje em dia".

    Milhares de manifestantes mortos

    Segundo o portal iraniano Iran International, mais de 36 mil pessoas foram mortas pelo regime aiatolá durante o auge dos protestos no início de janeiro, números semelhantes aos divulgados pela revista Time.

    Segundo o veículo, a estimativa de mortos na violenta repressão ocorrida em 8 e 9 de janeiro foi baseada em dados extensos obtidos a partir de “documentos confidenciais, relatórios de campo e relatos de profissionais de saúde, testemunhas e familiares das vítimas”.

    A publicação afirmou que os números tornam esses assassinatos “o massacre mais sangrento de civis durante protestos de rua, em um intervalo de dois dias, na história”.

    De acordo com o relatório, a maioria dos assassinatos foi cometida pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e pela milícia aliada Basij, embora também tenham sido utilizados combatentes proxies vindos do Iraque e da Síria.

    .


    Fonte: Guiame