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Líder cristão relata luta para cuidar de órfãos em Uganda: “São muitos desafios”

  • 23-09-2026 18:23

  • Líder cristão relata luta para cuidar de órfãos em Uganda: “São muitos desafios”

    O trabalho ministerial de Sila Simali nasceu do contato direto com crianças em situação de vulnerabilidade e cresceu em meio a limitações financeiras e necessidades que ultrapassam os recursos disponíveis.

    À frente do King Jesus Bright Orphanage, em Mbale, Uganda, ele acolhe crianças órfãs e vulneráveis e também desenvolve ações de apoio a viúvas da comunidade.

    Formado em Administração Pública, Sila também possui formação para professores e bacharelado em Teologia.

    Ele afirma que pretende prosseguir nos estudos e concluir um mestrado em Teologia, caso tenha oportunidade.

    Segundo o líder cristão, sua formação contribuiu para sua capacidade de orientar e servir outras pessoas.

    Sua trajetória ministerial começou justamente entre as crianças, como superintendente da Escola Dominical e professor da Palavra de Deus.

    Hoje, ele afirma servir como bispo na Raising Saints Christian Ministries.

    Foi antes mesmo da fundação oficial do projeto que Sila começou a ajudar crianças necessitadas.

    O ministério e o King Jesus Bright foram estabelecidos em 2016, quando ele também destinou cerca de 1,5 acre de terra – aproximadamente 6 mil metros quadrados – ao trabalho.

    Durante anos, parte da manutenção veio de atividades como agricultura e criação de galinhas.

    Ao lado dele está a esposa, Hellen Rose, que, segundo Sila, tem sido seu principal apoio desde o início da missão.

    Ela contribui com parte dos poucos recursos que possui, auxilia na formação dos professores e cuida das crianças.

    Mais recentemente, Simon, irmão de Sila, também começou a colaborar.

    Em entrevista exclusiva ao Guiame, Sila falou sobre a realidade das crianças atendidas, os desafios para manter o projeto e o que espera que os brasileiros compreendam sobre o trabalho desenvolvido em Uganda.

     

    Guiame: Como e quando nasceu a visão para o King Jesus Bright Orphanage e como o projeto tem se sustentado ao longo dos anos?

    Sila Simali: O ministério da igreja e o projeto do King Jesus Bright foram estabelecidos em 2016, mas dois anos antes eu já havia começado a ajudar crianças.

    Em 2016, doei um terreno de aproximadamente 1,5 acre (aproximadamente 6 mil metros quadrados) para o projeto.

    Ao longo dos anos, consegui manter o ministério e a missão por meio da agricultura local e da criação de galinhas.

     

    G.: Quais são os maiores desafios enfrentados pelas crianças em Mbale?

    S.S.: Os maiores desafios são a falta de alimentação suficiente, calçados, salas adequadas para estudar, dormitórios, atendimento médico, um salão com espaço suficiente para os cultos e uma biblioteca.

    O orfanato não possui recursos próprios para suprir essas necessidades.

    Eu, minha esposa e o arquiteto brasileiro Lucas Zeitune – que nos ajudou com projetos voluntariamente e conseguiu contribuir durante algum tempo – temos mantido esse trabalho.

     

    G.: Quem são as crianças atendidas pelo King Jesus Bright Orphanage e que realidade elas enfrentavam antes de chegar até vocês?

    S.S.: Algumas das crianças foram deixadas com parentes depois que seus pais morreram.

    Algumas sofriam castigos físicos e não tinham acesso à escola.

    Outras não tinham onde morar e viviam nas ruas.

    Quando me viram distribuindo alimentos e ensinando as crianças a orar, começaram a se aproximar.

    Vieram, ficaram conosco, passaram a dormir aqui e começaram a nos chamar de “papai” e “mamãe”.

    Agradecemos a Deus, e o número foi aumentando.

    Temos crianças de diferentes idades.

    Algumas chegam até nós logo depois da morte dos pais.

    Temos crianças de 5, 6, 7 e 10 anos e também entre 11 e 15 anos.

     

    G.: Seu trabalho também envolve viúvas e outras pessoas vulneráveis.

    Como essa missão tem marcado sua vida e seu ministério?

    S.S.: Tenho ajudado, ao mesmo tempo, órfãos, viúvas e crianças em situação de vulnerabilidade, mas enfrento muitos desafios.

    Às vezes, quando ajudamos as viúvas com enxadas para que possam cultivar a terra, aquelas que não recebem choram.

    Quando distribuímos alimentos e a quantidade não é suficiente, ou quando fico sem recursos, as crianças choram.

    Uma das situações em que mais sofro é na hora de providenciar um lugar para os órfãos dormirem.

    São muitos desafios, mas eles fortalecem meu coração para orar e pedir a Deus que providencie ajuda para esses grupos que estão sofrendo.

    Essa caminhada também tem me proporcionado crescimento espiritual e sabedoria.

    Aprendi que a perseverança é fundamental.

    Uma das principais lições é que são poucas as pessoas que sentem em seu coração, da parte de Deus, o desejo de ajudar aqueles que sofrem.

    Também percebi que muitos líderes espirituais têm o coração disposto a contribuir, mas eles próprios não possuem recursos para oferecer.

    A pobreza está em toda parte.

     

    G.: Qual tem sido a participação de sua igreja nesse trabalho?

    S.S.: A igreja é a Raising Saints Christian Ministries.

    Devido à pobreza e à falta de parceiros no exterior, ela não tem conseguido oferecer apoio ao trabalho.

    Precisamos da mão e da graça de Deus para que possamos construir um prédio para o ministério da igreja.

     

    G.: Como sua esposa, Hellen Rose, participa dessa missão?

    S.S.: Minha esposa tem desempenhado um papel muito importante.

    Mesmo com poucos recursos, ela contribui financeiramente, ajuda na formação dos professores e cuida das crianças quando retorna de seus estudos de formação profissional.

    Embora ganhe pouco, Deus a capacita a contribuir com o que pode.

    Deus realmente abençoou seu coração.

    Ela tem sido meu grande apoio.

    Meu irmão Simon também começou recentemente a contribuir com o pouco que possui.

    Fora isso, não tenho recebido apoio de outros familiares.

    Desde o início, temos contado principalmente comigo e com minha esposa.

     

    G.: O que você gostaria que os brasileiros compreendessem sobre a realidade das comunidades onde você atua?

    S.S.: Gostaria que os brasileiros entendessem o sofrimento e as dificuldades envolvidos em manter um trabalho como este.

    Desejo que tenham graça em seus corações para compartilhar, estabelecer parceria conosco e participar da luta para mudar a situação da minha comunidade.

     

    G.: De que maneira sua participação como colunista do Guiame pode contribuir para essa missão?

    S.S.: Com a divulgação desses conteúdos em diferentes meios profissionais e nas redes sociais para ampliar a visibilidade e incentivar o envolvimento de pessoas no fortalecimento do trabalho realizado com o orfanato e as crianças.

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    Fonte: Guiame