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A oração na perspectiva pentecostal – Parte 3

  • 30-09-2026 18:29

  • A oração na perspectiva pentecostal – Parte 3

    Em continuidade à segunda parte deste artigo, leia aqui, e concluindo a série sobre o tema “A oração na perspectiva pentecostal”, aprofundo agora os pontos essenciais que ampliam a discussão iniciada anteriormente.

     

    Entre a fé e a soberania de Deus

    Também é necessário reconhecer que não existe uma única forma de espiritualidade dentro do amplo universo pentecostal e carismático contemporâneo.

    Estudos recentes mostram diferentes compreensões acerca da oração, especialmente quando são consideradas as diversas expressões pentecostais e neopentecostais.

    Algumas correntes dão maior ênfase à confissão, ao decreto e à expectativa de resultados concretos.

    Outras enfatizam a súplica, a dependência, a perseverança e a submissão à soberania divina.

    Essas diferenças exigem cuidado para que não tratemos todo o pentecostalismo como uma realidade uniforme.

    Nesse ponto encontra-se um importante desafio teológico.

    Fé não significa negar o sofrimento, assim como submissão à soberania de Deus não significa abandonar a expectativa de sua intervenção.

    Podemos pedir cura e continuar confiando quando ela não acontece como esperávamos.

    Podemos pedir uma porta aberta e continuar servindo quando ela permanece fechada.

    Podemos clamar por uma mudança e, enquanto ela não chega, permitir que Deus produza mudanças em nós.

    A oração pentecostal encontra sua maturidade justamente quando expectativa e submissão caminham juntas.

     

    Uma espiritualidade que permanece atual

    Vivemos em uma época marcada pela velocidade.

    Recebemos informações constantemente, acumulamos compromissos e somos pressionados por respostas imediatas.

    Nesse ambiente, existe o risco de transportarmos para a vida espiritual a mesma lógica da urgência.

    A oração oferece outro caminho.

    Ela nos ensina a permanecer diante de Deus.

    Ensina-nos a falar, mas também a esperar.

    Ensina-nos a pedir, mas também a agradecer.

    Ensina-nos a desejar respostas, mas também a confiar quando ainda não conseguimos enxergá-las.

    Para o pentecostalismo, essa oração continua acompanhada da expectativa de que o Espírito Santo está presente e atuante na Igreja.

    A mesma fé que impulsiona o crente a clamar também deve conduzi-lo ao discernimento, à obediência e à perseverança.

    Por isso, a oração pentecostal não deve ser reduzida a barulho, emoção, fórmulas ou técnicas espirituais.

    Sua essência é mais profunda: trata-se de uma vida de comunhão com Deus, sustentada pela fé, orientada pelas Escrituras e vivificada pela ação do Espírito Santo.

    Oramos porque dependemos de Deus.

    Perseveramos porque confiamos nele.

    Intercedemos porque fazemos parte de uma comunidade.

    E esperamos porque cremos que Deus continua agindo.

    A oração, assim compreendida, não é apenas algo que o cristão pratica.

    Ela se torna parte da maneira como ele vive sua fé.

     

    Referências bibliográficas:

    ASSEMBLEIA DE DEUS.

    Declaração de fé das Assembleias de Deus.

    Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

    BUERTEY, Joseph Ignatius Teye.

    Revisiting Pentecostal Spiritualities with Reference to African Traditional Religious Practices and Pentecostal Theologies of Prayer in Ghana.

    Dissertation (PhD) — Stellenbosch University.

    FÉLIX-JÄGER, Steven.

    Renewal Worship: A Theology of Pentecostal Doxology.

    Downers Grove, IL: IVP Academic, 2022.

    KIM, Dongsoo.

    Lukan Pentecostal Theology of Prayer: Is Persistent Prayer Not Biblical? Asian Journal of Pentecostal Studies, v.

    7, n.

    2.

    LAND, Steven J.

    Pentecostal Spirituality: A Passion for the Kingdom.

    Cleveland: CPT Press, 2010.

    PERSPECTIVAS pentecostais e neopentecostais sobre a oração na contemporaneidade.

    Paralellus, 2025.

     

    Ediudson Fontes (@ediudsonfontes) é pastor auxiliar da Assembleia de Deus Cidade Santa (RJ), teólogo, pós-graduado em Ciências da Religião e mestrando em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-Rio.

    Escritor, professor de Teologia, casado com Caroline Fontes e pai de Calebe Fontes.

    * O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

    Leia o artigo anterior: A oração na perspectiva pentecostal – Parte 2

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    Fonte: Guiame