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A oração na perspectiva pentecostal – Parte 3
30-09-2026 18:42
Em continuidade à segunda parte deste artigo, leia aqui, e concluindo a série sobre o tema “A oração na perspectiva pentecostal”, aprofundo agora os pontos essenciais que ampliam a discussão iniciada anteriormente.
Entre a fé e a soberania de Deus
Também é necessário reconhecer que não existe uma única forma de espiritualidade dentro do amplo universo pentecostal e carismático contemporâneo.
Estudos recentes mostram diferentes compreensões acerca da oração, especialmente quando são consideradas as diversas expressões pentecostais e neopentecostais.
Algumas correntes dão maior ênfase à confissão, ao decreto e à expectativa de resultados concretos.
Outras enfatizam a súplica, a dependência, a perseverança e a submissão à soberania divina.
Essas diferenças exigem cuidado para que não tratemos todo o pentecostalismo como uma realidade uniforme.
Nesse ponto encontra-se um importante desafio teológico.
Fé não significa negar o sofrimento, assim como submissão à soberania de Deus não significa abandonar a expectativa de sua intervenção.
Podemos pedir cura e continuar confiando quando ela não acontece como esperávamos.
Podemos pedir uma porta aberta e continuar servindo quando ela permanece fechada.
Podemos clamar por uma mudança e, enquanto ela não chega, permitir que Deus produza mudanças em nós.
A oração pentecostal encontra sua maturidade justamente quando expectativa e submissão caminham juntas.
Uma espiritualidade que permanece atual
Vivemos em uma época marcada pela velocidade.
Recebemos informações constantemente, acumulamos compromissos e somos pressionados por respostas imediatas.
Nesse ambiente, existe o risco de transportarmos para a vida espiritual a mesma lógica da urgência.
A oração oferece outro caminho.
Ela nos ensina a permanecer diante de Deus.
Ensina-nos a falar, mas também a esperar.
Ensina-nos a pedir, mas também a agradecer.
Ensina-nos a desejar respostas, mas também a confiar quando ainda não conseguimos enxergá-las.
Para o pentecostalismo, essa oração continua acompanhada da expectativa de que o Espírito Santo está presente e atuante na Igreja.
A mesma fé que impulsiona o crente a clamar também deve conduzi-lo ao discernimento, à obediência e à perseverança.
Por isso, a oração pentecostal não deve ser reduzida a barulho, emoção, fórmulas ou técnicas espirituais.
Sua essência é mais profunda: trata-se de uma vida de comunhão com Deus, sustentada pela fé, orientada pelas Escrituras e vivificada pela ação do Espírito Santo.
Oramos porque dependemos de Deus.
Perseveramos porque confiamos nele.
Intercedemos porque fazemos parte de uma comunidade.
E esperamos porque cremos que Deus continua agindo.
A oração, assim compreendida, não é apenas algo que o cristão pratica.
Ela se torna parte da maneira como ele vive sua fé.
Referências bibliográficas:
ASSEMBLEIA DE DEUS.
Declaração de fé das Assembleias de Deus.
Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
BUERTEY, Joseph Ignatius Teye.
Revisiting Pentecostal Spiritualities with Reference to African Traditional Religious Practices and Pentecostal Theologies of Prayer in Ghana.
Dissertation (PhD) — Stellenbosch University.
FÉLIX-JÄGER, Steven.
Renewal Worship: A Theology of Pentecostal Doxology.
Downers Grove, IL: IVP Academic, 2022.
KIM, Dongsoo.
Lukan Pentecostal Theology of Prayer: Is Persistent Prayer Not Biblical? Asian Journal of Pentecostal Studies, v.
7, n.
2.
LAND, Steven J.
Pentecostal Spirituality: A Passion for the Kingdom.
Cleveland: CPT Press, 2010.
PERSPECTIVAS pentecostais e neopentecostais sobre a oração na contemporaneidade.
Paralellus, 2025.
Ediudson Fontes (@ediudsonfontes) é pastor auxiliar da Assembleia de Deus Cidade Santa (RJ), teólogo, pós-graduado em Ciências da Religião e mestrando em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-Rio.
Escritor, professor de Teologia, casado com Caroline Fontes e pai de Calebe Fontes.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: A oração na perspectiva pentecostal – Parte 2
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